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A Dependência nas Tecnologias de Informação e Comunicação
⌚ 09.10.2019
Centro Hospitalar Conde de Ferreira
As novas dependências do século XXI surgem hoje, como uma consequência à facilidade de acesso às tecnologias de informação e comunicação (TIC's), por parte da população em geral. Os avanços de hoje em dia, científicos e tecnológicos, dependem da utilização que se faz deles, e podem trazer benefícios ou riscos para a humanidade.
Estas tecnologias tem contribuído para a melhoria da qualidade de vida, mas trazem também alguns riscos, como por exemplo a dependência tecnológica. Os estudos demonstram a importância da prevenção desta situação, e da sensibilização dos técnicos de saúde, educadores e encarregados de educação para esta problemática.

O corpo clínico do CHCF debateu este tema no passado dia 7, na voz do Dr. José Romero, médico psiquiatra.

Para além das dependências clássicas: as químicas e as comportamentais, no século XXI emergem um novo tipo de dependências: as dependências ligadas às TIC's, isto é, os telemóveis, as redes sociais e a internet. 

A dependência das TIC's definisse pela perturbação psicológica e comportamental, que não envolve o uso de substância, de carácter impulsivo-compulsivo e que leva o utilizador a enredar-se de forma contínua ou cada vez mais frequente nas TIC's, que independentemente das consequências negativas que possa ter para o seu bem-estar físico, social, espiritual, mental ou financeiro.

Um estudo realizado em Portugal revelou que 73,3% dos jovens, entre os 14 e os 25 anos, apresentavam sintomas sugestivos de dependência à internet. Destes, 13% apresentavam níveis severos de dependência, e 52,1% dos inquiridos se percepcionavam como "dependentes da internet". Outro estudo aponta que cerca de 25% das crianças e jovens em Portugal são clinicamente dependentes do uso da internet e das redes sociais.

A dependência das TIC's pode classificar-se como generalizada ou como especificas. Generalizadas quando o seu uso excessivo abrange múltiplas dimensões das tecnologias de informação e comunicação. Especifica quando o seu uso excessivo atinge apenas uma finalidade ou objectivo determinado.

Em 2016, Young, classificou as dependências nas novas tecnologias em vários subtipos. Por exemplo, a adição aos vários aparelhos tecnológicos, a adição ao cibersexo, à pornografia, trocas de mensagens com intuito sexual. Também os jogos online, adição às redes sociais ou excesso de pesquisa de informação. 
Os grupos de risco são as crianças, os adolescentes e os universitários. Mas além deste grupos etários, há também determinadas características que um individuo pode ter que podem constituir factores de risco: como aqueles que estão insatisfeitos com a vida pessoal; pessoas com carências afectivas, com baixa auto-estima, pessoas impulsivas e pouco tolerantes à frustração, ansiedade e depressão são também factores de risco para o desenvolvimento da adição às TIC's, as pessoas tímidas e com dificuldades na comunicação assim como as pessoas solitárias. 

As causas que podem levar um indivíduo a uma dependência das novas tecnologias, podem ser divididas em factores individuais, familiares e sociais.

Existe uma associação frequente de determinadas patologias psiquiátricas com estas dependências nas novas tecnologias. Encontrou-se uma associação frequente com a perturbação de hiperactividade e défice de atenção, com a depressão, perturbação bipolar e outras perturbações de humor, com a ansiedade, fobia social uso/abuso de substâncias, e outras como a perturbação obsessivo-compulsiva, insónias, hostilidade e agressividade, tendência para o suicídio e esquizofrenia. 

Os indivíduos dependentes da internet, apresentam sintomas quando não estão ligados à rede, pois estão continuamente a pensar nela. Ou quando confrontados com uma possível adição que possam ter às novas tecnologias, tornam-se defensivos ou negam esta possibilidade. Há uma perda de interesse nas pessoas, ou nas actividades que anteriormente gostava, como por exemplo o exercício físico e o desporto, sente irritabilidade quando não consegue conexão, ou quando esta está lenta, priva-se do sono, mente a amigos, colegas e familiares, e são indivíduos que começam a mostrar um baixo nível de rendimento académico ou profissional.
Para avaliar a dependência na internet, há duas escalas, uma das quais mais utilizada actualmente: Internet Additions Test (IAT), consta de 20 items, auto preenchidos pelo indivíduo, e permite avaliar se o mesmo é dependente ou não dependente, e em caso de dependência classificar como leve, moderado, ou grave. 

As consequências da dependência das TIC's são as físicas: o sedentarismo, problemas visuais, problemas musculo-esqueléticos, problemas de audição e acidentes e as consequências psicossociais como ciber-bullying, o isolamento social, privação (e perturbações) do sono, baixa auto confiança e problemas familiares e/ou  conjugais.

O tratamento dever integrado e multifacturiado, a terapia mais utilizada é a terapia cognitivo-comportamental, mas não passa pela proibição total das TIC's, mas sim pelo uso moderado, controlado e responsável. Também as terapias familiar e de grupo, a psicoeducação e a terapia farmocológica são possível. Par reduzir e controlar o uso das TIC's, e tratar as comorbilidades. 
O melhor tratamento é a prevenção. É importante educar as crianças no auto-controlo do prazer imediato e na tolerância do imediato. Educar desde os primeiros contatos com as as novas tecnologias; Controlar os tempos de utilização das tecnologias; Fomentar a prática de outras actividades lúdicas e as actividades em equipa; Potenciar a comunicação com a e fora da família na vida real;Evitar o uso compulsivo;  Reflectir se o seu uso excessivo se deve a carências ou dificuldades interpessoais.
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